Levantamento próprio · Setembro de 2026
Quase tudo que se escreve sobre marketing odontológico é conselho genérico: poste com frequência, conheça seu público, use o WhatsApp. Eu resolvi fazer diferente. Peguei duas cidades brasileiras, listei todas as clínicas odontológicas que aparecem no Google, e fui olhar uma por uma. Foram 214. O que eu encontrei está aqui, com número.
Escolhi duas cidades de portes diferentes de propósito: Anápolis, em Goiás, com cerca de 400 mil habitantes, e Sorocaba, em São Paulo, com mais de 700 mil. Uma cidade média do interior e uma cidade grande e madura.
Em cada uma, listei todas as clínicas e consultórios odontológicos que aparecem no Google Maps. Deu 105 em Anápolis e 109 em Sorocaba. De cada uma eu anotei nota, quantidade de avaliações e se tinha site próprio. Depois abri no celular todo site que existia e cronometrei quanto tempo levava pra carregar.
Nenhuma clínica é citada pelo nome neste texto, nem vai ser. O objetivo não é expor ninguém — é mostrar o tamanho do buraco.
Elas existem no Google Maps, têm telefone, têm avaliação boa. Mas quando a pessoa clica em "site", cai num perfil de Instagram, num link de recado ou em lugar nenhum.
Pode parecer detalhe. Não é, e o motivo é o horário. Quem procura dentista raramente procura no meio da tarde com calma. Procura à noite, com dor, decidindo se aguenta até amanhã. Nessa hora ela quer três coisas em dez segundos: onde fica, que horas abre e se atende o que ela tem. Perfil de rede social não responde nenhuma das três de forma rápida.
A diferença entre as duas cidades é grande, e ela conta uma história:
| Cidade | Clínicas | Sem site próprio |
|---|---|---|
| Anápolis (GO) | 105 | 61 — 58% |
| Sorocaba (SP) | 109 | 35 — 32% |
Em cidade média, a maioria ainda não tem site. Em cidade grande, a maioria já tem. Ou seja: se você está numa cidade do interior, a disputa nem começou de verdade. E se está numa cidade grande, ter site parou de ser diferencial faz tempo — o jogo virou outro, que é o próximo achado.
Esse foi o número que mais me impressionou. Não estou falando de site feio ou desatualizado. Estou falando de site que não faz o trabalho dele.
A pessoa clica e recebe uma tela de erro. Alguns eram endereços que expiraram, outros apontavam pra lugar nenhum. Em todos os casos o dono provavelmente não sabe — ninguém liga pra clínica avisando que o site dela caiu. Você só vê a agenda com buraco na quinta-feira e acha que o mês está fraco.
Vários levavam quatro, cinco, seis segundos pra aparecer no celular. Um deles levava dezesseis. Antes disso a pessoa já voltou pro Google e clicou no concorrente. Ela nunca vai saber que a sua clínica era a melhor opção dela, e você nunca vai saber que ela existiu.
Site bonito, carrega bem, e não tem um botão de WhatsApp. A pessoa se convenceu, quis marcar, e teve que procurar o telefone. Boa parte desiste aí.
Se você tem site, faça um teste agora: pegue o seu celular, no 4G, fora do wi-fi da clínica, e abra o endereço da sua clínica. Conte os segundos. Se passar de três, você está perdendo gente todo dia sem ver.
Aqui está uma notícia boa e uma ruim ao mesmo tempo. A boa: a odontologia brasileira atende bem. A média das duas cidades ficou perto de 4,8 em 5.
A ruim: se todo mundo tem nota alta, nota alta não escolhe mais nada. Quando a pessoa abre o Google Maps e vê seis clínicas, todas entre 4,7 e 5,0, ela não decide pela estrelinha. Ela decide por duas outras coisas:
É por isso que "melhorar o atendimento" já não move o ponteiro de quem atende bem há anos. O atendimento já está bom. O que está quebrado é o caminho até ele.
Das 96 clínicas sem site, a maioria tem Instagram ativo, bem cuidado, com foto boa. E faz sentido: é onde o dentista se sente em casa.
Só que Instagram e Google resolvem problemas diferentes.
| Alcança | quem já te conhece | quem está procurando agora |
| Momento | quando a pessoa está passando o tempo | quando a pessoa está com dor |
| Intenção | curiosidade | decisão |
Os dois são úteis. Mas se você só tem Instagram, você está visível apenas para quem já ouviu falar de você. A pessoa nova, com dor, às nove da noite, procurando alguém que atenda amanhã — essa passa direto.
E tem um detalhe que quase ninguém pensa: o Instagram é emprestado. As regras mudam, o alcance cai, a conta pode ser bloqueada por engano. Seu perfil no Google e seu site são seus.
A maior parte do que se vende como "marketing odontológico" é peça solta: um pacote de posts, um anúncio, um site. Peça solta resolve pedaço de problema.
Olhando as 214 clínicas, o que aparece é sempre o mesmo trajeto, na mesma ordem:
Seu perfil no Google organizado: nome certo, categoria certa, endereço, horário, fotos e serviços preenchidos. É de graça e é o degrau que mais gente pula.
Uma página que abre em menos de três segundos no celular e responde o que ele quer saber antes que ele desista. Não precisa ser um site grande. Precisa ser rápido e claro.
Vídeo curto com a sua cara e a da sua equipe. Muita gente adia dentista por medo, não por dinheiro. Ver o rosto de quem vai atender diminui o medo antes da porta.
Anúncio serve pra acelerar o que já funciona. Anunciar antes de arrumar os três primeiros degraus é pagar pra levar gente até um lugar que não converte.
Atendimento automático no WhatsApp pra hora em que a recepção não está lá. Boa parte das decisões acontece fora do horário comercial — é justamente quando dói.
A ordem importa mais que as peças. Se você só tem tempo e dinheiro pra uma coisa este mês, é o degrau 1. Ele é gratuito, leva algumas horas e é o que mais gente deixa quebrado.
Um detalhe que agência generalista costuma não saber: publicidade odontológica tem regra própria. O Conselho Federal de Odontologia limita o que pode ser dito e mostrado no anúncio de uma clínica.
Na prática, isso significa cuidado com antes e depois, com promessa de resultado e com preço na arte. Não é detalhe burocrático: anúncio feito por quem desconhece essas regras não é só ineficaz, ele expõe o dentista.
Se você for contratar alguém pra cuidar do marketing da sua clínica, essa é uma boa pergunta de triagem. Quem trabalha com odontologia todo dia sabe responder na hora. Quem atende clínica de dente, pizzaria e academia na mesma semana, não.
Indicação continua sendo o melhor canal que existe. Só que hoje a pessoa que recebeu a indicação vai te procurar no Google antes de ligar — pra ver onde fica, o horário e as avaliações. Se ela não te acha ou cai numa página quebrada, a indicação esfria no caminho. O site não substitui a indicação: ele evita que ela se perca.
Varia demais, e boa parte do que mais importa é de graça: organizar o perfil no Google e pedir avaliação a quem já foi atendido não custa nada além do seu tempo. Só faz sentido pagar por anúncio depois que esse começo estiver de pé.
Depende de qual degrau está quebrado. Se o seu perfil no Google está bagunçado e seu site demora seis segundos, anúncio só faz você pagar mais caro pra perder a mesma gente. Anúncio multiplica o que já existe — inclusive o que não funciona.
Arrumar o perfil no Google costuma mostrar diferença em semanas, porque é o degrau mais quebrado e o mais rápido de consertar. O resto é acúmulo. Desconfie de quem promete data.
Eu faço esse mesmo levantamento para uma clínica específica, de graça. Você manda o nome e a cidade, e em até 48 horas eu devolvo um relatório curto, em português, mostrando o que acontece hoje quando alguém procura por você: se te acha, o que vê, quanto tempo seu site demora e onde está o furo.
Sem termo técnico, sem reunião pra ouvir proposta, e você não precisa contratar nada pra receber.
Quero o diagnóstico da minha clínica
Atendo uma clínica por cidade. Como funciona o diagnóstico.